mariana manhaes

Entao
Vaso Azul

mariana manhaes  Entao Vaso Azul

source: paginadacaza
As tecnologias trouxeram novas ferramentas para a exploração do lúdico. Não é à toa que se há a ideia da exploração de um outro mundo, de uma realidade paralela que, em vez de física, é criada virtualmente. São interfaces de interação que culminam em efeitos e ações que exploram o ludismo do imaginário.
Em seu mais recente livro “The Interface Effect”, Alexander Galloway discute como a interface, quando se pensa nas tecnologias, deve ser considerada como um efeito no campo da metafísica. Para ele, a interface é sempre um processo ou uma tradução. E para traduzir melhor este conceito, ele cria quatro regimes de significação baseados na coerência estética e política. Se esteticamente coerente, a obra se foca em seu próprio processo, em seu centro; se incoerente, a importância está na estrutura, na borda, fora do conteúdo. Para a política, o importante é a linguagem: se coerente, a linguagem e a ideologia podem ser interpretadas facilmente; se incoerente, é a construção de uma nova estrutura.
O trabalho de Mariana Manhães pode ser considerado esteticamente coerente, uma vez que traz o espectador para o centro de seu objeto, e politicamente incoerente, em que busca uma nova linguagem embora mimética a outras áreas. É o que Galloway classifica como Poética. Mariana usa as estruturas e possibilidades das tecnologias (e, neste caso, o hardware mesmo) para dar vida a objetos cotidianos, como um bule ou uma lâmpada. Sua exploração não busca antropomorfizar os objetos, simulando gestos ou reações humanas. Mas criar um novo ser, uma nova possibilidade de interação com o mundo real, físico. O objeto estático deixa de ser passivo à ação humana e cria vida própria, com sua própria linguagem e movimentos únicos. A interação, nesta caso, como me contou a própria artista em uma entrevista, é autista. As obras não conversam com o mundo que conhecemos, com a nossa realidade cotidiana. Elas interagem entre si criando outros signos e linguagens a ser interpretados.
Mariana usa as tecnologias e as possibilidades que elas trazem para criar seres lúdicos que vivem em uma realidade paralela a nossa. A grande diferença é que este mundo não é virtual, mas sim físico. Embora estejam dividindo o mesmo espaço que nós, estão conversando e se relacionando entre si, em uma linguagem ainda a ser desconstruída para ser compreendida.
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source: fileorg
Abstract:
Meu trabalho consiste na invenção e construção de engenhocas que são comandadas por vídeos de objetos animados. Os objetos são pinçados do meu cotidiano visual: portas do meu ateliê, bules da cristaleira da sala, taças e jarros da coleção da minha mãe. Todos eles são filmados e seus movimentos enfatizados durante o processo de edição, de maneira a criar gestos caricatos semelhantes ao comportamento humano e animal. A manipulação do tempo do vídeo é determinante para a deformação das imagens, que não se resumem a meras representações do real. Empresto minha própria voz aos objetos e invento o idioma que é falado por eles. Os vídeos também emitem notas musicais que, ao serem percebidas por circuitos eletrônicos instalados no corpo da obra, coordenam sons, motores e músculos eletrônicos que fazem a obra se movimentar. Nos dois trabalhos apresentados no FILE, “Liquescer (Jarrinho)” e “Liquescer (Jarrinho Azul)”, os objetos escolhidos são jarros d’água cuja respiração é ritmada com a entrada e saída do líquido de seu interior. Os organismos reagem de acordo com os sons emitidos pelos objetos nos vídeos. Assim como a água, que possui a forma do recipiente que a contém, o comportamento sonoro e motor das obras é moldado pela linguagem dos jarros. Há uma autonomia presente nas máquinas que, a partir de materiais low e high-tech, comandam um diálogo que se manifesta através do precário e incerto movimento de interação entre suas partes. Ao contrário do que possa parecer num primeiro momento, os mecanismos somente respondem a estímulos internos. Não existe interação direta com o público, que permanece como um intruso em um mundo cuja comunicação se dá de forma sui generis e é ininteligível para nós.
Biography:
Vive e trabalha em Niterói e no Rio de Janeiro. As engenhocas desenvolvidas por Mariana Manhães comandam um diálogo que se manifesta através do precário e incerto movimento de interação entre suas partes. Essas máquinas autômatas são controladas por imagens em video de bules, jarros, luminárias e dos mais diversos objetos, todos capturados do cotidiano visual da artista. Uma vez filmados e editados, os objetos ganham gestos caricatos e suas vozes ativam circuitos eletrônicos que ligam e desligam mecanismos low e high-tech no corpo da obra, criando um comportamento imprevisível. Mariana teve sua formação artística na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (1998-2006). Participou de diversas coletivas no Brasil e em outros países. Em 2007 realizou a exposição individual “Liquescer”, no Museu de Arte Contemporânea de Niterói. Recebeu os prêmios: Prêmio Gilberto Chateaubriand no Salão da Bahia (2005); Salão de Goiás (2006); Prêmio de Artes Visuais Marcantonio Vilaça FUNARTE / MinC (2006). Recentemente foi agraciada com uma Menção Honrosa no Prêmio Sérgio Motta de Arte e Tecnologia (2007).
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source: fileorg
Abstract:
My work consists in the invention and construction of artifacts that are commanded by videos of animated objects. The objects are chosen from my daily life: my studio’s doors, teapots in the sitting room’s armoire, glasses and vases from my mother’s collection. All of it is filmed and their movements are emphasized during the process of edition, so as to create gestures that caricature human and animal behavior. Time manipulation in the video is determinant to the deformation of images, that are not mere representations of the real. I lend my own voice to objects and create the idiom spoken by them. The videos also emit musical notes that, when perceived by electronic circuits installed in the work’s body, coordinate sounds, electronic engines and muscles that make it move. In both works presented at FILE, “Liquescer (Jarrinho)” e “Liquescer (Jarrinho Azul)”, the objects chosen are water jars whose breathing has the rhythm of the liquid that enters and leaves them. Organisms react according to sounds emitted by objects in the videos. Like water, that has the shape of the recipient that contains it, the works’ sound and motor behavior is shaped by the jars’ language. There is an autonomy in machines that, departing from low and high-tech materials, command a dialogue that manifests through the precarious and uncertain movement of interaction among their parts. Contrarily to what might seem in a first moment, mechanisms only answer to internal stimuli. There is no direct relation with the audience, that stays as an intruder in a world whose communication happens in a sui generis form and is unintelligible to us.
Biography:
She lives and works in Niterói and Rio de Janeiro. The artifacts developed by Mariana Manhães command a dialogue that manifests itself through the precarious and uncertain movement of interaction between its parts. Those automate machines are controlled by video images of jars, teapots, lamps and the most different objects, all of them captured from the artist’s visual routine. Once filmes and edited, the objects gain caricatural gestures and their voices activate electronic circuits that turn on and off low and high-tech mechanisms in the work’s body, creating a random movement. Mariana had her artistic formation at the Visual Arts School at Parque Lage (1998-2006). She took part in several group shows in Brazil and abroad. In 2007 she made the solo exhibition “Liquescer”, at the Museum of Contemporary Art of Niterói (Rio de Janeiro). She was awarde with: Gilberto Chateaubriand Prize at Bahia Salon (2005); Goiás Salon (2006); Visual Arts Prize Marcantonio Vilaça FUNARTE / MinC (2006). She was recently awarded a honorable mention by Sérgio Motta Prize of Art and Technology (2007).