REI KAWAKUBO

fall/winter 2017
Comme des Garcons

Collection

source: elleabril
“Todos os tipos de formas de expressão estão se espalhando por todo o lugar, a informação está transbordando, e é cada vez mais difícil ficar entusiasmado com qualquer coisa. A fim de ser estimulado ou sensibilizado no futuro, provavelmente teremos que ir ao espaço e olhar para o nosso mundo de lá”.
Essa frase de Rei Kawakubo diz muito sobre a estilista mais cultuada da moda contemporânea. Ela é inflexível em sua criação artística, não se curva, não volta atrás e não se impõe limites. É tão livre que entende que a única saída será ir para o espaço e ser impactado pela visão do nosso planeta de um ângulo absolutamente novo e deslumbrante.
Kawakubo é a criadora que, há décadas, vem definindo a vanguarda na moda, criando coleções que desafiam outros estilistas a pensarem fora da caixa quando o assunto é estilo, moda e beleza. Desde os anos 80, tem fãs fieis que deram à Comme des Garçons o status de cult que a marca preserva até hoje. Muitos estilistas, arquitetos, artistas e editores importantes cultuam o trabalho de Kawakubo: Riccardo Tisci, Raf Simons, Marc Jacobs, Karl Lagerfeld, Anna Wintour, Suzy Menkes, Tim Blanks, Bjork, Kazuyo Sejima.

Ela, que já disse que as regras estão somente dentro de sua mente, oferece uma enorme contribuição à moda com sua estética que desconstrói e provoca, sempre em total desacordo com as tendências predominantes. Rei trabalha para satisfazer suas próprias ideias e é uma das pessoas mais influentes da moda contemporânea, tanto que virou o tema da próxima mega exposição do Metropolitam Museum, em Nova York: Rei Kawakubo/Comme des Garçons: Art of the In-Between, que abre na próxima segunda (01.05). “Sua busca constante por originalidade ou novidade é o que define seu trabalho”, diz Andrew Bolton, curador do Costume Institute do Met. “Em vez de apenas reorganizar o design que já existe, ela insiste em empurra-los para novas formas. Ela é a modernista definitiva e inflexível, mais do que qualquer outro designer que eu conheço”.
Mas Rei não é uma outsider, como muitos a chamam. Ela tem habilmente gerenciado essa linha tênue entre criatividade e comércio e construiu um grande negócio global, ao lado do marido e parceiro Adrian Joffe.

“Descreva sua coleção Body Meets Dress-Dress Meets Body (corpo encontra vestido-vestido encontra corpo)”, pede Susannah Frankel para Rei Kawakubo durante uma entrevista para a AnOther Magazine. Kawakubo responde, mas de forma inusitada: pega um pedaço de papel e desenha um círculo.

Campanha da coleção de 1997, Dress Meets Body-Body Meets Dress (Comme des Garçons/Divulgação)
O fato é apenas um exemplo de Andrew Bolton – curador da exposição do MET que homenageia a designer, Art of the In-Between – para declarar o quanto ela sempre odiou entrevistas. Na verdade, até mesmo o diálogo entre eles, que encabeça o catálogo da exibição, é aberto com a frase “Eu realmente odeio entrevistas.” Quando lembrada que aquilo era apenas uma conversa, ela respondeu que “era só uma questão de semântica”.

Coleção de inverno 2017 (o segundo vestido da esquerda para a direita foi utilizado por Rihanna no baile do MET) (Jemal Countess / Stringer/Getty Images)
As passagens não deixam dúvida: em seu fazer artístico, Kawakubo deixa as coleções falarem por si próprias. Para resumir os lançamentos e evitar o contato com jornalistas, – desde 1973, quando criou a Comme des Garçons em Tóquio – ela escolhe títulos provocativos, que oferecem insights sobre as peças: entre eles Bad Taste (Mau Gosto), Not Making Clothing (Não-Fazendo Roupas) e Transcending Gender (Transcendendo Gênero).

Body Meets Dress-Dress Meets Body, coleção de primavera de 1997 (Jemal Countess / Stringer/Getty Images)
Ela é a segunda designer viva a ganhar uma retrospectiva no Costume Institute. O primeiro foi Yves Saint Laurent em 1983. Por lá, 150 outfits estão dispostos em um set criado por ela, desenvolvido com as próprias mãos em um galpão em Tóquio. Quem visita a exposição poderá saborear toda a estética de Kawakubo nas sessões que se dividem entre Passado/Presente/Futuro, Modelo/Múltiplo, Ordem/Caos, Fashion/Antifashion e outros temas que já foram alvo de sua obsessão.

A história da exposição começa com a primeira vez que desfilou uma coleção em Paris, em 1981 – suas roupas eram o oposto da normativa fashion vigente, que tinha Gianni Versace e Thierry Mugler no topo da indústria do luxo. Volumes bizarros, cortes inusitados e um desdém por roupas desenhadas de acordo com gênero – tudo numa paleta preta – renderam à coleção o título de “apocalíptica” pela imprensa da época. Trinta anos depois, ela ainda não se importa em ser a mulher do fim do mundo, e o desfile da Comme des Garçons ainda é um ponto altíssimo da semana de moda.

Passarela do desfile de inverno de 2009 da semana de moda de Paris (Chris Moore/Catwalking/Getty Images)
23 anos depois do primeiro desfile, em 2004, a Comme des Garçons deu mais um passo que parecia absurdo: inaugurou uma loja de departamento com diversas marcas, o Dover Street Market, em Londres. Apesar de ter mudado de endereço, o que une a presença de nomes como Alaïa, Céline e Gosha Rubchinsky é a visão da designer de comercializar apenas itens nos quais ela acredita. O mesmo princípio vale para sua colaboração com designers que crescem dentro de seu ninho e que ganham linhas próprias ou até mesmo marcas adjacentes, como Junya Watanabe.

Entre outros highlights da exposição estão as peças criadas por Julien d’Ys, seu lendário hairstylist, que contribuíram para o estilo característico da marca – será possível ver véus, perucas, e peças únicas para a cabeça, que incluem um sinal de paz e amor. “Ela sempre me pressionou para ir muito longe, então eu sempre quis dar para os shows algo novo e diferente – eu me pressionava, então era perfeito para respeitar as roupas”, contou d’Ys.

Uma das sessões que não poderiam faltar é a Body Meets Dress-Dress Meets Body, coleção de 1997 que explorou a sexualidade feminina e acabou ficando conhecida como Lumps and Bumps (Caroços e Inchaços), por exibir roupas com enormes erupções onde elas, teoricamente, não deveriam existir.

Na primavera de 2014, porém, Kawakubo perdeu o interesse por desenhar roupas ordinárias. Apesar de ser um susto para a moda, essa ruptura é um dos momentos que mais agradou Rei – ela afirmou que preferiria que somente os momentos daí para a frente estivessem na exposição, como algumas de suas peças da última coleção: casulos humanos sem buracos para as mãos.

Apesar da exposição não responder a pergunta sobre quem exatamente é Rei Kawakubo, será uma das mais desafiadoras mostras do MET, e abrirá as portas da história da marca para um grande audiência. “Eu escolhi Comme des Garçons como um nome porque gostei do som. Não significa muito para mim, e eu não tinha a intenção de me promover – e é por isso que não coloquei meu nome nela”, contou Rei em 1992. Entre as premissas que guiam a visão da designer está o pensamento de que cada um deveria vertir-se para si mesmo – suas roupas convidam o olhar masculino (ou feminino) com sua selvageria, mas logo o repele por seus shapes rebeldes, que transformam a forma corporal. Isso, sim, está dito claramente em suas roupas.
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source: britannica
Rei Kawakubo, (born October 11, 1942, Tokyo, Japan), self-taught Japanese fashion designer known for her avant-garde clothing designs and her high fashion label, Comme des Garçons (CDG), founded in 1969. Kawakubo’s iconoclastic vision made her one of the most influential designers of the late 20th century.

Kawakubo studied fine arts and aesthetics at Keio University in Tokyo, graduating in 1964. She had a strong female role model in her mother, who left Kawakubo’s father when he would not let her work outside the home. Likewise independent, Kawakubo left home after college and took a position in the advertising department of Asahi Kasei, an acrylic fibre textile manufacturer. She was given creative freedom by her superior there and became involved in collecting props and costumes for photo shoots. That activity ultimately led her to design her own fashions when she could not find an appropriate costume for a shoot. In 1967 she became a freelance stylist.

By 1969 Kawakubo was selling her designs under the CDG label to shops in Tokyo. In 1973 she opened her first store, and within a decade she had 150 shops across Japan and was earning $30 million annually. Kawakubo was committed to offering women, comme des garçons (“like boys”), clothes designed for mobility and comfort. For this reason, she never designed stilettos or had her models wear them on the runway. Her clothes were designed for the independent woman who did not dress to seduce or gain a man’s approval. Kawakubo recoiled from Western definitions of sexiness, which focused on revealing and exposing the body. She found revealing clothing decidedly unsexy and boring.

During the late 1970s Kawakubo started a professional and romantic relationship with fellow Japanese designer Yohji Yamamoto. They both produced clothes that redefined fashion and challenged conceptions of feminine beauty. The two debuted separate collections in Paris in 1981 and shocked the critics. The garments were dark (primarily black), oversized, and asymmetrical, and they twisted and bulged and otherwise did not conform to the lines of the human body. Kawakubo and Yamamoto continued to collaborate for several years and, together with Issey Miyake, were considered Japan’s most innovative fashion designers.

By the time Kawakubo had her international breakthrough in 1981, she had already expanded CDG with three more clothing lines: Homme (1978; menswear) and two additional womenswear lines, Tricot and Robe de Chambre (1981). She also opened her first Paris boutique that year following her outrageously successful debut on the Paris runway. In 1983 she opened her first shop in the U.S., on the third floor of Henri Bendel, a luxury department store in New York City.

Rather than respond to trends, Kawakubo rooted her designs in concepts, straddling art and fashion. Thus, her designs, especially early in her career, used tremendous amounts of fabric and often looked voluminous on the wearer’s body. Because they did not fit the industry’s perception of what women wanted, her garments were sometimes described as antifashion. Her influential 1982 collection, Destroy, featured oversized, loosely knit sweaters with holes of varying size that looked as though they had been slashed open. The dark, disheveled style was dubbed by the media the “postatomic look” or “Hiroshima chic” and, sometimes, the “bag lady” look.

In 1988 she launched her own magazine, Six, a biannual large-format publication that displayed her seasonal collections. Intended as a reference to the sixth sense, Six was as much a contemporary art and ideas journal as a fashion magazine. Most issues contained no words, only illustrations, art, and photography, including that of noted fashion photographers Bruce Weber and Peter Lindbergh. CDG published eight issues of Six; the final one was printed in 1991. That publication was a prime example of how Kawakubo’s aesthetic vision directed the company’s overall image, its graphic design, its advertisements, the atmosphere of her fashion shows, and the minimalist and monochromatic interior design of her stores—a radical approach to retail in the 1980s.

TEST YOUR KNOWLEDGE
The poem The Lamb from an edition of William Blake’s Songs of Innocence. A Study of Poetry
Kawakubo’s clothing designs were sometimes so abstract and unconventional that they were virtually unwearable. The collection often cited in that context was Dress Meets Body, Body Meets Dress (spring/summer 1997), which featured garments with lumps of padding positioned in unflattering places. It became known colloquially as the “lumps and bumps,” “tumor,” or “Quasimodo” collection and was criticized for blatantly disfiguring the female form. That collection inspired Kawakubo’s costume design for choreographer Merce Cunningham’s dance piece Scenario (1997).

With the guidance of CDG’s CEO, Adrian Joffe (also Kawakubo’s husband and translator), Kawakubo skillfully penetrated the fashion market in numerous ways. In 1994 she released the first in what became a vast line of CDG fragrances. One of the more unconventional fragrances was Odeur 53, labeled an “abstract anti-perfume” that consisted of unrecognizable inorganic smells. In 2004 CDG “guerrilla” stores, or “pop-ups,” brought CDG to cities around the globe on an ephemeral basis, lasting no longer than a year in any given location. Kawakubo, Joffe, and CDG are credited with having originated the pop-up store trend. They stopped producing pop-up stores in 2008, when the idea was absorbed into mainstream culture. In addition to her extremely expensive Comme des Garçons clothing, Kawakubo also created more-accessible commercial lines, including Play (2002), a streetwear collection geared toward younger consumers; a special line for the store H&M (2008); and Black (2009), a lower-priced collection of past-season best sellers.

Kawakubo and Joffe also created the high-fashion mecca called Dover Street Market (DSM), originally on Dover Street in London. They based DSM on the concept of London’s now-defunct Kensington Market, a three-story bazaar that catered to subculture fashions from the 1960s until it closed in 2000. Kawakubo curated DSM by inviting a selection of international designers—both established and up-and-coming—to display and sell their collections in whatever manner they chose. The result was what she called “beautiful chaos.” The stores also presented art installations. Kawakubo opened additional DSM stores in the Ginza district of Tokyo (2012) and in New York City (2013). Like Kensington Market, which had been located among the luxury retail stores on High Street, the Dover Street Markets were situated in unlikely places.

Kawakubo won the Fashion Group International award (1986) and the Excellence in Design Award from the Harvard University Graduate School of Design (2000). In 1993 she was honoured by the French government as a Chevalier in the Order of Arts and Letters. Her fashions were featured in several exhibitions, including “Mode et Photo, Comme des Garçons” at the Pompidou Centre in Paris (1986), “Three Women: Madeleine Vionnet, Claire McCardell, and Rei Kawakubo” at the Fashion Institute of Technology in New York City (1987), “ReFusing Fashion: Rei Kawakubo” at the Museum of Contemporary Art Detroit (2008), and “Rei Kawakubo/Comme des Garçons: Art of the In-Between” (2017) at the Metropolitan Museum of Art in New York City.