SARA RAMO

SARA RAMO

source: fortesvilaca

A artista se apropria de elementos e cenas do cotidiano, deslocando-os de seus lugares de origem e rearranjando-os em vídeos, fotografias, colagens, esculturas e instalações. Ramo investiga o momento em que os objetos param de fazer sentido na vida das pessoas para criar situações em que a calma e a ordem se perdem, e o mundo parece em pane. Estratégias formais e conceituais se sobrepõem numa encenação constante de mapeamento de uma realidade caótica.
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source: culturagovbr

A obra de Sara Ramo – que pode surgir em vídeo, fotografia ou instalações – é marcada pelo uso e deslocamento de objetos e cenas banais, do cotidiano. A artista engendra uma espécie de ficção, de narrativa fantástica ou no mínimo inesperada, sinalizando para novos significados possíveis, através de um universo feito de pequenos e simples elementos. Sara consegue nestas operações atingir uma voltagem política não literal, realizando uma crítica fina sintonizada ao tempo de agora. Note-se o seu interesse em promover a partir destes elementos, os mais ordinários e comuns, uma espécie de bagunça que irá atribuir aos mesmos novos sentidos. Tal procedimento pode ser percebido em obras como “O que acontece na normalidade das coisas”, “Jardim do sótão”, “Ceia”, “Oceano possível”, e “Cenas da peça: Vivo andante – (primeiro, segundo e terceiro ato)”.

Mestre em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes da UFMG. Esteve no Panorama da Arte Brasileira, 2003, (desarrumado) 19 desarranjos, MAM/SP. Bem como integrou a 6° Bienal do Mercosul, Porto Alegre, RS, 2007. Foi contemplada com a Bolsa Pampulha, 27º Salão do Museu da Pampulha, Belo Horizonte, Brasil, em 2003. Ganhou o Prêmio Marco Antônio Vilaça para as Artes Plásticas, em 2006. Recebeu a Bolsa do Programa Rumos Artes Visuais do Itaú Cultural, edição 2005/2006, para o programa de Residências El Basilisco, Buenos Aires, Argentina.
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source: ebaufmgbr

Na tradição da filosofia antiga, cosmos, do grego kósmos, é a ordem do mundo, o princípio regulador e as leis da harmonia do universo. Além de significar, no sentido atual, o composto de matéria e energia do espaço sideral, cosmos refere-se ao ordenamento da natureza e da cultura, tanto em relação ao Estado, como na organização de solenidades religiosas. Por oposição a caos, do grego cháos, o cosmos foi criado segundo um modelo eterno e perfeito. Conforme a tradição platônica, caos é a desordem e confusão que precede a intervenção do demiurgo, o artesão divino que modela a matéria caótica preexistente. O caos é o estado de indiferenciação e de mistura dos elementos, está ligado ao desequilíbrio e a irregularidade do universo.

O trabalho de Sara Ramo parece lidar diretamente com essas duas noções, cosmos e caos, embora não como oposições rígidas. Em Alguns dias passados no espaço, é como se a artista encarnasse um demiurgo (mais humano e banal do que divino). Ela não chega a criar a realidade, mas pode moldar meteoros, estrelas ou galáxias que surgem a partir da percepção de pequenos acidentes cotidianos. Se o demiurgo é aquele que exerce um ofício, um criador de obras grandiosas, pode ser também o responsável pelo mal que o Criador supremo jamais poderia gerar.

No micro universo do trabalho, restrito aos limites de um quartinho dos fundos de uma casa, a ordem não é soberana. Bolhas da parede com infiltração e tufos de poeira (cósmica?) dividem o vazio do ambiente com a regularidade e geometria dos tacos do piso. As imagens, como em pôsteres didáticos, são seguidas de definições científicas e, não sem ironia, uma mancha de leite no chão, a desordem por excelência, é convertida em Via Láctea do mesmo modo em que um balão furado torna-se um buraco negro.

Já no vídeo Meia volta, volta e meia, a relação entre cosmos e caos se dá de outro modo. Dentro de um quarto ocupado por móveis, objetos saem de seus lugares, são embaralhados e se deslocam como numa órbita ao redor e no interior do cômodo. Ao reencontrarem o local de partida, completando o movimento de translação – o equivalente a um ano na órbita da Terra em torno do Sol – algo de estranho acontece. Os móveis também mudaram de lugar e as referências não são mais as mesmas. A ordem virou caos e quando foi restabelecida, teve seu equilíbrio alterado.

Lidando claramente com analogias entre o micro e o macrocosmo, o trabalho de Sara Ramo nos mostra que as forças do universo estão em constante movimento e que às vezes, para modificar a regularidade do mundo, não é necessário destruí-lo, mas apenas realizar mínimas alterações – e assim com cada coisa. Afinal, o tempo age sobre todos os sistemas. Como no efeito borboleta, as leis iniciais e que determinam certos fenômenos são extremamente sensíveis. Pequenos movimentos podem acarretar estados adversos e inimagináveis.
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source: arteinformado

Sara Ramo vive y trabaja entre Madrid y Belo Horizonte. Entre sus exposiciones individuales recientes se incluyen Desvelo y traza en Matadero, Madrid y Centre d’Art La Panera, Lleida(2014), Punto Ciego en EAC Espacio de Arte Contemporáneo, Montevideo (2014), Sin heroísmos, por favor en el CA2M (Centro de Arte Dos de Mayo), Móstoles, Madrid (2012), Penumbra, Proyeto Respiraçao en la Fundación Eva Klavin, Rio de Janeiro (2012), y Pano de Fondo en la Galería Fortes Vilaça, Sao Paulo (2012). Selección de exposiciones colectivas incluyen la 9ª Bienal do Mercosul, Porto Alegre y Bienal de Sharjah (2013), Desarmado en el MAM, Sao Paulo (2011), 29ª Bienal de Sao Paulo (2010) y la 53ª Bienal de Venecia (2009).