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THALES LEITE

Véus

source: arteseanp

Série de imagens que revela as transformações dos espaços urbanos, a mostra fotográfica “Véus”, do carioca Thales Leite. A série aborda as linhas, os padrões e as estruturas das redes de contenção de edifícios em obras, explorando questões da passagem do tempo e da ocupação dos espaços.

Ao se lançar um olhar mais atento sobre as imagens de Véus, porém, nota-se a ausência de pessoas, cores ou referências que identifiquem os prédios ou os lugares. Isto porque, para o artista, mais importante do que a identificação da construção é a descoberta do momento transitório. Thales ignora escalas e perspectivas arquitetônicas, utilizando do alto contraste para compor imagens que são a representação dessas efêmeras e monumentais esculturas urbanas.

As fotografias, que passam um caráter vagante e casual, são resultado de pesquisa, iniciada em 2009, das estruturas poéticas nas áreas metropolitanas, onde a arquitetura adquire por meio das fotografias caráter escultórico.

Para o pesquisador e arte-educador Cayo Honorato, as fotografias do artista possuem uma redução compositiva que faz com que as fachadas tomem o lugar de estruturas e que o necessário se torne ornamento. “Elas não se interessam por diferenciar os desejos concretos de renovação dos de preservação. Ao mesmo tempo em que emprestam à arquitetura certa solenidade atemporal, exibem-na com algum encanto por meio do que move e muda, como se meditasse na vida e morte das formas, na beatitude da luz, no presságio das sombras”, afirma.

Já sob a perspectiva da arquiteta e urbanista Elisabete Reis, o olhar diferenciado ao capturar cenas cotidianas é o que mais chama a atenção na exposição. Em sua leitura, ao valorizar as possíveis insinuações das existências arquitetônicas, seus rastros e restos, Thales instiga o olhar do observador até uma sensibilidade sutil da cidade em suas inumeráveis possibilidades de interpretação.