NOBUYOSHI ARAKI

Cosmosco

Nobuyoshi Araki Cosmosco

source:artnetcom
Nobuyoshi Araki is a contemporary Japanese photographer known both for his prolific output and his erotic imagery. While sometimes focusing on quotidian subject matter, including flowers or street scenes, it is Araki’s sexual imagery that has elicited controversy and fascination. Similar to the work of Helmut Newton, Araki often addresses subversive themes—such as Japanese bondage kinbaku—in his provocative depictions of female nudes. “Women? Well, they are gods. They will always fascinate me. As for rope, I always have it with me. Even when I forget my film, the rope is always in my bag,” he said of his subject matter. “Since I can’t tie their hearts up, I tie their bodies up instead.”
Born on May 25, 1940 in Tokyo, Japan, he studied photography at Chiba University, before pursuing a career as a commercial photographer upon his graduation in 1963. In 1970, while working as a freelance photographer, he began to publish numerous photography books, including Sentimental Journey (1971), a visual narrative of the honeymoon with his wife Aoki Yoko. Araki currently resides in Tokyo, Japan, a city that has served as a constant source of inspiration throughout his career. Today, his works are held in the collections of the Art Institute of Chicago, the Goetz Collection in Munich, and the San Francisco Museum of Modern Art, among others.
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source:fotografiadgcom
Há 45 anos um jovem fotógrafo japonês auto-publicava aquele que viria a ser um dos grandes photobooks japoneses de todos os tempos. Seu nome: Nobuyoshi Araki, sua obra-prima: Sentimental Journey (em jap. Senchimentaru na tabi – 1971). O livro retrata em 108 imagens em p/b momentos da lua-de-mel de Araki san e sua esposa Yoko Aoki. De forma direta, com uma certa sensualidade melancólica, às vezes explícita, intimista, mas sem grandes arroubos estéticos, a obra-prima arakiana não remete a nada do que o fotógrafo japonês se tornará mundialmente conhecido: imagens de kinbaku-de (estilo japonês de bondage).

Ao viajar pelas páginas de Sentimental Journey percebemos uma narrativa simples, autobiográfica e uma estética associada muito mais a um álbum de memórias de um casal do que propriamente um livro de fotografias para ser publicado, ou seja, literalmente “tornar-se público”. Ato corajoso em se tratando da sociedade japonesa, onde os espaços público e privado são devidamente delineados, quase herméticos. No entanto, esta maneira de narrar – confessando a intimidade – é oriunda da literatura realista japonesa do início do século XX denominada “I-Novel” (em jap. Watakushi shôsetsu) e se transmutou para a fotografia, estando em voga nos photobooks japoneses entre meados dos anos 1960 e ao longo da década seguinte.

Vinte anos depois, Yoko veio a falecer de câncer e Araki homenageou a esposa com a publicação de Sentimental Journey/Winter Journey (1991), uma despedida em forma de poesia imagética com fotografias que nos levam aos recônditos da memória “sentimental” arakiana. Associada aos “espaços afetivos” do casal, a obra apresenta fragmentos íntimos, espaços domésticos vazios, a querida gata Chiro, culminando com a imagem de Yoko post-mortem cercada de flores. Silêncios que nos remetem a uma jornada de reflexão sobre a atemporalidade das relações humanas eternizadas em grãos monocromáticos.

Anos depois em uma entrevista, Araki confessou que foi a sua falecida esposa que o tornou um “F”otógrafo. Certamente a consubstanciação de sua amada do espaço (quase) sacro do universo privado japonês ao universo profano-público em Sentimental Journey pavimentou um caminho sem volta para a sua jornada fotográfica e sentimental.

O ato vanguardista de fotografar a intimidade, tematizando as namoradas ou as esposas – verdadeiras musas – em sua intimidade ou em atos banais e PUBLICÁ-LAS em revistas especializadas ou livros, esteve em voga no Japão em meados dos anos de 1970, como podemos ver na obra de grandes fotógrafos como Hajime Sawatari (Nadia, 1973), Shunji Dodo (Setsuko, s/d), Masahisa Fukase (Yohko, 1978) e do próprio Araki (Yoko My Love, 1978).

Formado em fotografia (1963), Araki san publicou mais de 350 livros, inicialmente transitando entre captar um universo mais candid das ruas da capital japonesa, Tóquio e o trabalho na famosa agência de publicidade japonesa Dentsu, foi só no início da década de 1970 que ele efetivamente desenvolveu seu estilo baseado na relação: vida/morte/amor/erotismo. Abandonar a segurança do trabalho de assalariado em 1972 para se dedicar à fotografia como free-lancer foi o seu grande salto no universo caótico e fertílissimo da fotografia japonesa entre os anos de 1965-1978. Diferentemente dos seus contemporâneos como o designer da imagem Daido Moriyama ou do poeta da imagem Takuma Nakahira, já apresentados nesta série de artigos, Nobuiyoshi Araki sempe buscou no ato de fotografar a transcendência da relação homem/mulher, sem glamour ou romantismo, mas de forma sinestésica, sentimentalismo puro.

Chamado pela imprensa japonesa de Tensai Araki, algo como “Genial Araki”, o fotógrafo japonês tem como leitmotv não provocar o olhar como muitos pensam, mas direcioná-lo, seja nas ruas ou em estúdio, sem pudores, evocando memórias eróticas. Para ele a relação entre o fotógrafo e o fotografado(a!) deve ser direta – “eye-to-eye” – o olhar deve ser íntimo, sem subterfúgios, uma verdadeira tour de force erotizante.
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source:casepublishingjp
写真家・現代美術家。1940年5月25日、東京市下谷区(現東京都台東区)三ノ輪に生まれる。1963年、千葉大学工学部写真印刷工学科を卒業後、電通に宣伝用カメラマンとして就職。1971年、同じく電通に勤務していた青木陽子と結婚し、写真集「センチメンタル・ジャーニー」を出版する(陽子は1990年に他界)。1972年、電通を退社し、フリーになる。1974年、東松照明、細江英公、森山大道、横須賀功光、深瀬昌久らと「WORKSHOP写真学校」の設立に参加。1988年、安斎信彦、田宮史郎と事務所「AaT ROOM」設立(三人の頭文字から命名)。荒木の作品はテート・ギャラリーやサンフランシスコ近代美術館を含む多くのコレクションに収蔵されている。

冒頭に荒木は “札幌でのトークショウの最前列に、「センチメンタルな旅、冬の旅」をもった少女がいた。その少女に一目惚れしてしまった。” とある。あるひと時の、随分年の離れた写真家とその少女コスモスコの恋は、この写真集の最後には見事に終焉を迎える。