Luiz Philippe Carneiro de Mendonça

chair legs crossed

LUIZ PHILIPPE

source: highlike

Obra: UMA POÉTICA DO ACASO E DO HUMOR. “Eu sou pintor, eu prego meus quadros”, disse Kurt Schwitters aos dadaístas de Berlim, apresentando-lhes suas assemblages. Luiz Philippe Carneiro de Mendonça também prega seus quadros. Colecionador de achados curiosos, emprega as peças recolhidas nas assemblages e objetos que nos apresenta. Acaso e criatividade se aliam. Luiz Philippe garimpa com o olhar. Um de seus primeiros trabalhos surgiu de uma velha pá enferrujada, encontrada casualmente na antiga mina inglesa de Cata Branca, em Minas Gerais. Depois, vieram as malas de pedra, nas quais ele transporta o olhar fascinado do espectador. E nos relaxa, ao cruzar as pernas de uma cadeira. Muito jovem, conviveu e trabalhou com Frans Krajcberg na região de Itabirito, o que lhe valeu o gosto e o conhecimento dos minérios, terras e pigmentos presentes em sua obra. É reconhecível, ao mesmo tempo, a experiência do artista no mundo do design. O trompe-l’oeil barroco informa o prazer lúdico das assemblages. Humor de um lado e nonsense de outro atravessam o perímetro das obras para aguçar-lhes o núcleo de atração. Uma dimensão outra que a do visível e do cotidiano é o que o surrealismo persegue: Luiz Philippe a alcança, ao transitar, através de refinada manufatura, do estranhamento que a operação semiótica produz, inquietante e serena, contundente mas silenciosa, para o encantamento do objeto em si. Aquele sentimento indizível, que a obra de arte, exaurida, estaria buscando recuperar na crispação de performances e instalações, está próximo, e é pelo humor que o espectador começa a sintonizá-lo. O artista não se sujeita à classificação simplista de pertencer ou não a determinado código, porque palmilha vertentes variadas com uma liberdade e uma inventiva que lhe permitem escapar a ciladas e prisões de linguagem e morfologia. Alternam-se o ameno e o amargo, sem dilemas doridos. Prevalece a sensação de um bem curtido diálogo do criador com os materiais que amealha e o conjunto das obras irradia o frescor da forma genuína. * Angelo Oswaldo é escritor e curador. Foi secretário da Cultura de Minas Gerais, presidente do IPHAN e prefeito de Ouro Preto. É o atual presidente do IBRAM. Sobre o artista: LUIZ PHILIPPE Carneiro de Mendonça nasceu em 23 de junho de 1957 em Minas Gerais, filho de uma família muito ligada às artes e aos artistas. Seus avós e seus pais eram colecionadores de arte antiga e moderna. Passou a infância morando numa usina de ferro pertencente à família. Durante os anos 60, seu pai, então diretor do Museu de Arte Moderna de Belo Horizonte (Museu da Pampulha), propicia os primeiros contatos com o mundo das artes. Nesse período conheceu o atelier de Guignard em Ouro Preto e conviveu intensamente com Frans Krajcberg, com quem mantém contato até hoje. Graduou-se em Desenho Industrial em 1978 pela Escola Superior de Artes Plásticas da Fundação Universidade Mineira de Arte. Entre 77 e 81 foi sócio num estúdio de design, onde realizou diversos trabalhos gráficos. Paralelo à profissão de designer, e desde sempre, exerceu atividades na área das artes plásticas, seja desenho, pintura, escultura e fotografia. Em 1982 casa-se com Candida Andrade, com quem tem dois filhos, e seguem para Paris. Lá ele trabalha num importante estúdio de design, tendo participado de vários projetos nas áreas de produto, embalagem e gráfica, além de aprimorar a técnica em ilustração. Em 1984 estabelece-se com a família no Rio de Janeiro. A partir de 88, até 2007, passa a morar e trabalhar num casarão do século XIX no Cosme Velho, que pertenceu ao avô historiador, cuja atmosfera vem influenciar diretamente o seu trabalho. Atualmente tem seu atelier em São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Em sua carreira como artista plástico, algumas exposições individuais merecem destaque, como a do MNBA, quando apresentou pela primeira vez as suas “Malas de Pedra”; e a da Casa França-Brasil. No exterior expôs na The Economist Art Gallery, de Londres, onde pode comemorar a venda de um de seus trabalhos para o ex-beatle George Harrison. E em Roma, na Galeria Candido Portinari, da Embaixada do Brasil, uma mostra com enorme visitação. Nas exposições coletivas, são destaques a do MuBE SP Exposição “Loucos por Design” e a do MAM RJ “Novas Aquisições 2006-2007 – Coleção Gilberto Chateaubriand”, quando mostrou a sua “cadeira de pernas cruzadas”. Texto de Angelo Oswaldo.

Image: Sem título (cadeira de pernas cruzadas). 2004 – (múltiplo) madeira e palhinha natural. 86 x 47 x 45 cm (variáveis). Um exemplar da cadeira está na Coleção Gilberto Chateaubriand e foi exposto no MAN-RJ na exposição “Novas Aquisições 2006-2007 – Coleção Gilberto Chateaubriand”.
Fotógrafo: Luiz Philippe
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source: artslant

“I am a painter, I nail my paintings”, said Kurt Schwitters to the Dada artists of Berlin as he presented them his assemblages. Luiz Philippe Carneiro de Mendonça also nails his paintings. Collector of peculiar findings, he uses the gathered pieces in the assemblages and objects shown to us. Chance and creativity ally themselves. Luiz Philippe pans with his eyes.

His earliest work on exhibit emerged from an old rusted shovel, casually found in the ancient British mine of Cata Branca, in Minas Gerais. Long ago, in Belo Horizonte, the artist, now situated in Rio de Janeiro, painted ex-votos in the manner of the votive planks typical of the Brazilian gold cycle.

In the family environment, there was no lack of very special references to the culture and opulence of Minas of the past, which, in the meantime, he saw succumb under the impact of the crushing realities of contemporaneity. These references would be the sources and origins of his work.

As a child, he oftentimes met and worked with Frans Krajcberg in the region of Itabirito, an experience from which he acquired taste and knowledge of ores and pigments present in his works. At the same time, one recognizes the artist’s experience in the world of design, from which he brings decisive knowledge for the construction of the assemblages. In the process of conception and of gathering objects, this knowledge feeds the eye and the gesture that transgress the thing seen, in the sense of turning it into a work of art.

The baroque trompe-l’oeil informs the playful pleasure of the assemblages. Humor on one side and nonsense on the other cross the perimeter of the works to enhance their core of attraction. Another dimension besides the visible and the commonplace is what surrealism pursues: Luiz Philippe reaches it in traversing, through his refined technique, from the arresting quality that the semiotic operation produces, disturbing and serene, striking yet silent, to the enchantment of the object itself. That inexpressible feeling, that the work of art, exhausted, seeks today to recuperate in the freshness of performances and installations, is close, and it is through humor that the spectator begins to sense it.

The artist does not submit to the simplistic classification of belonging or not to a determined school, for he treads various slopes with freedom and inventiveness that allow him to escape the traps and prisons of language and morphology. If an after-taste of dismay is sometimes manifested, it is exactly because the author, exploring distinct directions, instigated by images of his imaginary museum, may have crossed a situation of anguish just as he had shortly before jokingly played with a ready-made one, in the joy of the finally completed puzzle. Without painful dilemmas, bland and bitter alternate. A sensation of an enjoyable dialogue of the creator with materials he gathers prevails, and the ensemble of works radiates the freshness of genuine form.
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source: theartreference

Luiz Philippe Carneiro de Mendonça is an artist from Minas Gerais – Brazil. He was born in 23rd of June, 1957. Luiz has an interesting art mixing medias and materials to make you think as he brings a new persceptive out of daily objects.
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source: luizphilippe

LUIZ PHILIPPE Carneiro de Mendonça nasceu em 23 de junho de 1957 em Minas Gerais, filho de uma família muito ligada às artes e aos artistas. Seus avós e seus pais eram colecionadores de arte antiga e moderna. Passou a infância morando numa usina de ferro pertencente à família. Durante os anos 60, seu pai, então diretor do Museu de Arte Moderna de Belo Horizonte (Museu da Pampulha), propicia os primeiros contatos com o mundo das artes. Nesse período conheceu o atelier de Guignard em Ouro Preto e conviveu intensamente com Frans Krajcberg, com quem mantém contato até hoje.

Graduou-se em Desenho Industrial em 1978 pela Escola Superior de Artes Plásticas da Fundação Universidade Mineira de Arte. Entre 77 e 81 foi sócio num estúdio de design, onde realizou diversos trabalhos gráficos.

Paralelo à profissão de designer, e desde sempre, exerceu atividades na área das artes plásticas, seja desenho, pintura, escultura e fotografia.

Em 1982 casa-se com Candida Andrade, com quem tem dois filhos, e seguem para Paris. Lá ele trabalha num importante estúdio de design,tendo participado de vários projetos nas áreas de produto, embalagem e gráfica, além de aprimorar a técnica em ilustração. Durante a permanência na França, o casal reside no atelier de Frans Krajcberg, em Montparnasse, gentilmente cedido pelo artista.

Em 1984 estabelece-se com a família no Rio de Janeiro. A partir de 88, até 2007, passa a morar e trabalhar num casarão do século XIX no Cosme Velho, que pertenceu ao avô historiador, cuja atmosfera vem influenciar diretamente o seu trabalho.